Silêncio e Preocupações




Vivemos tempos incertos. As empresas começam lentamente a reabrir, pelo menos as que conseguiram subsistir a esta crise pandémica, e todos teremos que nos adaptar a uma nova realidade pós-COVID.
O desporto não foge a esta regra, muito menos o Sporting.

Com o fim das competições, caiu a primeira pedra de um dominó que se prevê longo, tal como aquelas montagens que vemos em vídeos que devem ter demorado meses a fazer e que depois se desfazem em alguns segundos.
Começamos a ver agora notícias de saídas e contratações para as várias modalidades. Algumas irão sofrer retoques pontuais, outra (ou será outras?), uma pequena revolução!


Silêncio

O primeiro grande problema foi o que antecedeu a esta primeira peça do dominó ter caído: a ausência de comunicação - um total vazio seja do que for, por parte do Sporting. Jogadores que terminavam contrato em Junho ou Julho e que, no final de Março, ainda não tinham qualquer indicação se os mesmos iriam ser renovados, rumores de saídas em barda fruto de um desinvestimento brutal, rumores de jogadores com qualidade a serem contratados pelos nossos rivais (indo um pouco em contraciclo ao nosso desinvestimento), dívidas por pagar que se iriam tornar ainda maiores... you name it!
O que fizeram os responsáveis pelas modalidades do nosso clube?! Nada.

Saber comunicar é uma arte que nós não dominamos de todo e há muito tempo. Se, por vezes, ficar calado é a melhor solução, esta não era uma delas!

Quase diariamente vemos notícias bastante elogiosas acerca do nosso futebol, do nosso presidente, dos nossos jogadores, tudo a pedido do Sporting e com a complacência de uma comunicação social desportiva conivente com estes “favores”, escrevendo apenas aquilo que uma das partes quer e não colocando questões minimamente pertinentes.

A direcção do clube deveria ter percebido… Perdão, a direcção do clube deveria saber  que existem sócios e adeptos que vivem o clube de forma bastante intensa e são ávidos consumidores de tudo o que diga respeito ao Sporting. Assim, numa altura onde não existia nem um jogo de padel lá do bairro para se ver nos canais desportivos, os adeptos estariam a ressacar e ansiosos por consumirem ainda mais Sporting. Bastavam umas poucas palavras e, se calhar, muitos deles estariam mais calmos e, sobretudo, confiantes, perante tamanho chorrilho de rumores de calamidades nas modalidades do nosso clube.
Aliás, as páginas nº 6 e 7 da última edição do Jornal do Sporting trazem uma pequena entrevista a Miguel Afonso (elemento do conselho directivo com o pelouro das modalidades), acerca das mesmas. 



Muito bem! Aplaudo!

No entanto, esta ou outra entrevista deste género peca por tardia e deveria ter sido dada a meio da pandemia. Podia até ser uma entrevista cheia de chavões ou algo mais sincero, mas algo. Se se dão ao trabalho de andarem a pedir aos jornais para publicarem coisas para o futebol e para o conselho directivo, porquê este silêncio ensurdecedor acerca das modalidades? 
Vou até mais longe e deixo-vos um pequeno texto que poderiam ter realizado e pedido para publicar em qualquer um dos diários desportivos, visto que tantas vezes ignoram que temos uma TV e um jornal centenário:

“No meio destes tempos difíceis, queremos deixar uma mensagem de esperança e confiança a todos os sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal sobre as nossas modalidades. Não sabemos o que o futuro nos reserva, pois ainda não existe uma real percepção de quando esta pandemia vai acabar, nem de como a economia recuperará depois disso, mas queremos dizer a todos eles que estamos a trabalhar todos os dias para fazermos um Sporting mais forte. Vão existir cortes, não só no Sporting, mas em praticamente todos os clubes do mundo, (inserir exemplos para passar mais segurança na mensagem), poderão até sair alguns jogadores importantes ou carismáticos, mas, como representamos o Sporting, temos a obrigação de dar o nosso melhor todos os dias e, como tal, tudo iremos fazer para manter a competitividade das nossas equipas. Temos, até, alguns acordos firmados com atletas de topo e que esperamos poder concretizar, assim que tudo isto acalme ou passe, até porque estamos ansiosos para os podermos divulgar, pois penso que será do agrado dos Sportinguistas.”

Pronto. Não revelavam nada de importante, não revelariam nada acerca dos planos da pólvora e muito provavelmente faziam um “damage control” ainda antes dos mesmos serem necessários. 

Recentemente, surgiram, através de rumores, que o sporting já teria contratado 5 jogadores brasileiros para a equipa masculina de voleibol. E se eu vos dissesse que grande partes destes, para não dizer todos, já tinham os acordos firmados em Fevereiro?! Provavelmente, já teríamos acordos com outros jogadores, para outras modalidades.
Portanto, antes da pandemia ser declarada e do COVID-19 nos atingir de forma mais efectiva, a próxima época já estava a ser preparada, com atletas contratados ou pelo menos já existia um esboço daquilo que se pretendia fazer, com dispensas pensadas, embora não comunicadas.
Depois de saber isto, faz ainda menos sentido a total ausência de comunicação por parte da nossa direcção; Parece aquelas empresas que fecham portas para férias de verão e não deixam ninguém a tratar de nenhum assunto.

Todo este silêncio levou a um histerismo, justificado diga-se, por parte de muitos adeptos nas redes sociais. Muitos dos adeptos vêem o desporto porque gostam e não se preocupam com as questões tácticas ou técnicas do jogo. Tenho um amigo que tem gamebox e vai aos jogos de futebol e, muito provavelmente, não me sabe dizer a grande maioria dos jogadores do plantel principal da equipa de futebol do Sporting, quanto mais das modalidades... Isso faz dele menos Sportinguista do que eu?! Obviamente que não. Para além do mais, a maior parte dos sportinguistas não conhece pessoas com infos top secret, passadas em grupos secretos do whatsapp, acerca de contratações e dispensas do Sporting e dos seus rivais. Logo, “jogam” com os dados que têm à frente e juntam 1+1. Se vêem notícias acerca do desinvestimento (algo que já era pré-Covid) e que vamos ter menos dinheiro disponível, se vêem que o jogador x ou y (que até parece bonzinho) se vai embora do Sporting, se vêem que os rivais até estão a contratar jogadores estrangeiros (que devem ser bons porque senão não iam buscá-los), ficam preocupados. Com certeza que ficam preocupados! Nem todos são especialistas como os Nunos Rogeiros desta vida!


Preocupações

Habitualmente, analiso apenas quando existem confirmações oficiais e irei fazê-lo quando tivermos os plantéis completos e fechados para arrancar com a época de 2020/2021. Sei que corro um  risco efectivo de fazer figura de parvo daqui por uns dias ou semanas, mas, se querem saber, estou ligeiramente preocupado… Não com o futsal ou com o hóquei, que têm estruturas fortes e dois directores com muito peso dentro da estrutura do Sporting (ainda por cima são duas modalidades onde o Sporting está entre os melhores clubes do mundo); Nem tão pouco estou preocupado com o basquetebol, que irá certamente mexer muito pouco e ficará igual ou até mais forte. Estou, sim, preocupado com o voleibol e com o andebol.

O voleibol irá sofrer uma razia no seu plantel, segundo uma notícia publicada no site leonino.pt e que confirma o rumor que me chegou. Será o 4º ano desde o regresso da modalidade e será o nosso 4º ano zero. Andamos, ano após ano, a mudar metade da equipa, fizemos a mudança de Fiães para Lisboa, mas, mesmo assim, continuamos a não ter formação que sustente a equipa no futuro, sendo que temos até um treinador conhecido e com experiência precisamente na formação. Para além do mais, trocar mais de meia equipa, época após época, leva a que haja uma menor identificação com a equipa por parte dos adeptos. Das nossas principais modalidades masculinas de pavilhão, o voleibol é aquela que menos assistências tem e o facto de andarem a mudar tudo sistematicamente também não ajuda. Por esta razão, é uma modalidade que teria de ser mais bem trabalhada em termos de promoção e marketing.
Se acho que iremos estar mais fortes este ano? Provavelmente. Todavia, este não é o caminho, se quisermos que esta secção tenha um futuro risonho e, sobretudo, sustentado! 

Quanto ao andebol, já o disse vezes e vezes sem conta que, planear uma época em Maio para Julho/Agosto dá mau resultado! Se vamos ao mercado em Maio, apenas iremos encontrar um Jese ou um Bolasie, fazendo uma analogia com o futebol. Se precisamos deles? Não.
A equipa está cheia de trintões e, se por um lado eles aportam maior experiência nos momentos decisivos, por outro a dureza das competições internacionais faz com que a época se torne desgastante e nos traga dissabores na fase das grande decisões, tal como vimos na época passada. Está na altura de pensar no futuro, rejuvenescer a equipa e contratar com critério. Não consigo perceber de onde saiu o rumor da vinda de Darko Djukic para o Sporting. Djukic tem um enorme talento, é um jogador com imensos recursos técnicos e um pulso que parece feito de borracha; isto quando está focado em jogar andebol e ser profissional! É melhor que o Ghionea (que termina contrato)? No Sporting não é! Para além do mais, o Ghionea é eficaz nas suas funções e deve ganhar menos, o que, inserido numa lógica de contenção como é aquela onde estamos, fará muito mais sentido. A equipa tem carências muito mais prementes do que contratar um ponta direito, sendo que, para essa posição, até temos 2 atletas jovens e com potencial: o Francisco Tavares (tem a mesma idade que o Djukic) e o Nuno Reis (que esteve emprestado ao Boa-Hora) que podem ficar perfeitamente com o lugar, caso Ghionea abandone o clube. E trazendo Djukic, basicamente estamos a dizer a esses jovens que irão ter pouco tempo de jogo nos próximos 2 anos. Se temos limitações orçamentais, a nossa prioridade deveria ser a contratação de 2 pivôs com qualidade e que, pelo menos um deles, deveria ser um especialista defensivo, pois, neste momento, se ainda não renovámos com o Tiago Rocha, não temos nenhum pivô na equipa principal para a próxima época. E eu, sinceramente, não conheço nenhuma equipa no mundo que jogue sem pivô! Outra das prioridades deveria ser um lateral direito canhoto que saiba defender e que tenha uma boa disponibilidade física. Haviam mais, mas isso ficará para uma análise posterior… É necessário começar a pensar na sucessão de Thierry Anti, que não está totalmente certo para a próxima época: Rui Silva pode ser promovido a principal, existe a opção Carlos Resende (já ou só para 2021/2022) ou ainda, numa hipótese remota mas não estapafúrdia, promoverem Ruesga ou Nikcevic a treinador principal quando terminarem os seus contratos como jogadores.
Seja como for, é importantíssimo ter um plano estratégico para médio/longo prazo e não andarmos a fazer navegação à vista (expressão usada pelos marinheiros no século XV quando “desciam” a costa africana tendo sempre terra à vista) como temos feito até aqui! No andebol, isto não resulta e espero sinceramente que já tenham percebido isto...
Apesar de tudo, penso que o Sporting tentará atrair algum nome sonante e, com isso, tentar conseguir um dos wildcards para disputar a próxima edição da Champions League. E embora os critérios públicos sejam outros, como por exemplo, o pavilhão, o facto de o clube ter TV, etc, tenho quase a certeza que vão também olhar para o plantel e para quem o orienta.

Vamos ver o que o futuro nos reserva.


Saudações leoninas a todos.

tigas68






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