Para Consumo Interno?

 

Foto Sporting CP


O futsal foi a primeira modalidade de pavilhão a voltar oficialmente aos trabalhos. A pandemia teve uma influência brutal na forma como este mercado foi abordado pelo Sporting e por praticamente todas as equipas do mundo. Quem tinha melhores bases acabou por sair por cima ou reforçado de tudo o que se passou desde Fevereiro para cá.


O Plantel

Do plantel ainda campeão europeu, (sim, porque a prova europeia foi interrompida e, como ainda não se disputou a final four, ainda somos os campeões europeus!), há a registar as saídas do histórico Deo (um dos jogadores mais titulados do Futsal do Sporting), do ala Alex e do fixo Léo Jaragua. Os alarmes soaram nos adeptos! As saídas destes 3 futsalistas foram feitas em conjunto com a de muitos outros de outras modalidades, naquela que foi, para mim, uma péssima gestão de comunicação e expectativas, por parte da direcção do clube. 
Em termos práticos, Deo estava enterrado na rotação na ala esquerda, Alex chegou a ser um dos melhores na Main Round da Champions League deste ano e Léo, apesar de alguma quebra relativamente ao ano anterior, era um jogador importantíssimo devido às suas características únicas no plantel.

Fruto da já conhecida redução orçamental (pré-Covid) e da pandemia, este deveria ser o ano da aposta na formação. Inicialmente, o Sporting iria promover de forma mais permanente jovens que já na época passada actuavam a espaços no plantel principal. Falo de Bernardo Paçó (guarda-redes), Tomás Paçó (fixo), Sévio Marcelo (um ala destro) e Zicky (um pivô canhoto): todos eles, jovens com potencial, internacionais e com idades compreendidas entre os 18 e os 20 anos. 
A estes jovens juntaram-se mais dois: Hugo Neves (20 anos), pivô que se encontrava emprestado à formação da Quinta dos Lombos e que esteve, por exemplo, na lista para a votação de melhor pivô sub-20 do mundo, e Mamadú Ture (21 anos), um jovem ala que atuava na Suíça, na formação do Minerva Futsal, mas que fez a sua formação no Sporting e que já teve uma experiência na 1ª divisão com a formação do Belenenses.

Entretanto, Sévio foi emprestado ao Fundão e Hugo Neves novamente à Quinta dos Lombos, duas boas equipas para ambos evoluírem na 1ª divisão.

À data de hoje, este é o plantel para a época 2020/2021.




Se os jovens promovidos permanentemente dos sub-20 são já conhecidos dos sportinguistas, Mamadú Ture pode não ser. O guineense destaca-se claramente pela sua rapidez e capacidade técnica no 1x1, não sendo, no entanto, tão agressivo sem bola como o Pany Varela ou o Pauleta. Veremos o que poderá acrescentar esta época no Sporting. Talvez o empréstimo de Sévio queira dizer que Nuno Dias e a sua equipa técnica estejam satisfeitos com aquilo que Mamadú tem feito até aqui, nos treinos e amigáveis.

A juntar às “contratações”, a direcção do Futsal renovou, e bem, com alguns dos principais atletas, como são o caso de Merlim, Guitta e Cavinato, por exemplo, conseguindo, muito provavelmente,  uma diminuição no salário, mas prolongando os contratos no tempo.

Assim sendo, com estas mexidas, nesta época ficaremos mais fracos ou mais fortes?


Breve Análise 

Respondendo à pergunta que ficou em aberto, eu diria que estamos mais fracos!

Se a saída do Deo é compreensível e a do Alex também (jogador que, apesar de tudo, oferecia boa saída de bola, mas que nunca conseguiu confirmar totalmente na Europa a sua qualidade), já a do Léo custa-me um pouco a engolir; Ou melhor, não a sua saída, mas a sua não substituição!
Os fixos de marcação, tal como o Léo, são cada vez mais importantes no futsal actual, devido à mudança nos critérios de arbitragem, onde, aos fixos, é permitido um maior contacto na luta pela posição com o pivô adversário. O fixo passou a ter, desde então, uma preponderância defensiva muito grande nas grandes equipas de futsal. No plantel do Sporting, era o único jogador defensivo com estas características de marcação; Mais, o Léo era um jogador que apesar de não ter grande saída de bola, ajudava imenso nas bolas paradas, fruto do seu bom remate de meia distância.
João Matos funciona mais como “líbero”, se quisermos fazer uma analogia com o futebol de 11, Erick é mais universal que fixo, e Tomás Paçó ainda não tem a capacidade defensiva do Léo.
A chegada de um fixo com claras características de marcação era, a meu ver, fundamental, se quisermos estar novamente presentes na final four da Champions League.
O Sporting chegou a ter tudo acertado com o brasileiro Léo Santana, um dos melhores fixos a jogar na Europa, com forte sentido de marcação e óptima saída de bola, mas o contrato para o Santana assinar demorou a chegar... Demorou tanto que o rapaz acabou por renovar com a equipa de onde queria sair, o El Pozo Murcia!
Não vindo um fixo, seria importante vir um ala canhoto ou até um pivô com outra qualidade. Infelizmente, não veio ninguém. Pelo menos, por agora...

Os “miúdos” vão ter forçosamente mais minutos e, se evoluírem naturalmente, no final da época podemos até estar mais fortes. Tudo vai depender da sua curva de aprendizagem, confiança e capacidade de trabalho.

Penso que Nuno Dias irá mudar algo na nossa estratégia. Alex era influente na saída de bola da defesa e, com a sua perda, não vejo como o possamos fazer quando o Merlim não está em campo, isto porque ter Taynan nesse papel dá-me muitos calafrios… :) Estou, por isso, curioso para ver se será só o Merlin a assumir esse papel ou se o mesmo será entregue a outro jogador. Até porque, nos dérbis, Merlim e Taynan não podem jogar os dois nas alas a titulares, como já se viu no passado, pois ficamos demasiado expostos em termos defensivos.
Por falar no Mago, se nesta época pudermos contar com os seus préstimos em mais jogos, então melhor! No ano transacto, passou algum tempo lesionado e, apesar de no campeonato a equipa técnica e os jogadores tenham feito com que a sua ausência não se notasse, é sempre preferível contar com um jogador da qualidade do Merlim!
E aqui vou tirar o chapéu a Nuno Dias! A ausência de Merlim nos dérbis não se fez notar, fruto das boas prestações de Pauleta e Pany Varela (daí a escolha da foto para este artigo), a sua pressão alta e rotatividade defensiva. O Benfica sentiu sempre grandes dificuldades com a sua saída de bola e a estratégia resultou na perfeição! Veremos se será para manter no futuro…

Apenas com Cardinal e Rocha como pivôs mais experientes e com maior qualidade e, sabendo que o português é um cliente habitual da enfermaria, deveremos continuar a ver o sistema 4-0, talvez até com maior preponderância este ano. Cavinato, Taynan e até Mamadú serão chamados a desempenhar o lugar de falso pivô, dando, assim, maior dinâmica e elasticidade à equipa no momento ofensivo.
Se quiserem saber como é que o Sporting joga em 4-0, o treinador brasileiro Flavinho Cavalcante fez um vídeo explicativo, excelente diga-se, de como a equipa de Nuno Dias utiliza este sistema tático.




Eu achava que este seria o ano da aposta na formação, mas as saídas de Sévio e Hugo Neves por empréstimo pode querer indicar que, afinal, o Sporting mudou o seu plano inicial e vai atacar o mercado.
Recentemente, surgiu o rumor do Sporting entrar na corrida pelo pivô espanhol Álex Yepes (visto a sua contratação ter estado em suspenso - ver aqui), naquela que seria uma óptima contratação.
Sinceramente, acho que vai chegar mais alguém, só não sei se já ou se em Dezembro, quando alguns dos jogadores da liga brasileira terminarem os seus contratos. O Sporting parece atento ao mercado e é capaz de não rejeitar uma boa oportunidade de negócio. Se vierem 1 ou 2 reforços, então o título deste artigo pode mudar, pois é precisamente isso que nos poderá levar a lutar por algo mais do que títulos internos.


Expectativas e Objectivos

Começo pelo título deste artigo - Para consumo interno? Sem dúvida alguma!

O campeonato resume-se a uma luta entre Sporting e Benfica e, por isso, a análise é basicamente feita olhando para estas duas equipas. Se somos candidatos? Claramente! Somos candidatos a ganhar todas as provas nacionais, mas isto não é novidade nenhuma!

O Benfica reforçou-se com nomes sonantes. Sinceramente, acho que os trouxeram com o intuito de ajudar Luís Filipe Vieira nas eleições que se aproximam. À aposta no futebol (com JJ e muitos milhões), juntou-se a aposta no futsal, uma das modalidades mais queridas dos adeptos encarnados. Arthur (vindo do Barcelona), Chiskala (vindo do Ugra), Tayebbi (vindo do Kairat) e Nilson (fixo ex-Sp. de Braga) foram os principais reforços. No entanto, tiveram saidas importantes, como André Coelho, Bruno Coelho, Chaguinha, Fernandinho e Drasler.
Na teoria, os nossos rivais estão fortes no seu 5 inicial (ainda tenho dúvidas como conjugarão Robinho e Arthur ao mesmo tempo de forma consistente), mas perdem qualidade na rotação. E basta ver um jogo de futsal para perceber a importância dos jogadores rotacionais numa equipa, pois é habitual os treinadores usarem até 3 jogadores por posição, no mesmo jogo, de forma a que o ritmo se mantenha elevado.

Olhando puramente para os jogadores do plantel, para o que acabei de referir acima e para o facto do plantel do Sporting ter tido menos mexidas que o seu rival, diria que partimos à frente. Sobretudo porque mantivemos a espinha dorsal da equipa e temos, a meu ver, melhores jogadores de 2ª e 3ª linha que o Benfica. Contudo, o campeonato não é decidido agora, por isso, lá mais para a frente, existe a forte possibilidade dos nossos rivais estarem bem mais fortes do que nós, isto partindo do princípio que os reforços  conseguem adaptar-se bem e acrescentar qualidade (e eu não vejo porque não).
Há, no entanto, um factor que, para mim, poderá ser preponderante: A forma como ambas as equipas irão lidar com a perda dos seus principais fixos.
Nós perdemos o Leo, o Benfica perdeu o André Coelho. Embora tivessem características diferentes, ambos eram, claramente, os melhores fixos de marcação das suas respectivas equipas. Aquele que melhor souber lidar com esta perda, será, a meu ver, o vencedor do campeonato nacional. Veremos o que Nilson pode dar aos encarnados e se Erick se fixa e evolui mais como fixo do que como universal.

O Sporting já nos habituou a boas prestações na Europa. Fomos 3 vezes seguidas à final four da Champions League e somos os, ainda, campeões europeus. No entanto, sem a vinda de um fixo de qualidade ou ala canhoto ou até um pivô de categoria internacional, parece-me que o plantel é curto para voltarmos a marcar presença na final four da Champions League. Ainda para mais, as equipas russas parecem-me muito bem apetrechadas, as espanholas estão fortíssimas e o Kairat, do Cazaquistão, está a dar tudo para voltar aos títulos europeus. O plantel parece-me curto em termos de qualidade para conseguirmos realizar uma boa Champions League, por isso, penso que teremos que ter as expectativas mais baixas este ano, no que à Europa diz respeito; A não ser que tenhamos uma surpresa e o Sporting consiga contratar um jogador que acrescente qualidade ao plantel, numa das posições que referi acima. O mercado brasileiro poderá ser uma opção, visto que muitos jogadores terminam contrato nessa altura, mas é preciso não esquecer as dificuldades que os jogadores vindos da América do Sul sentem ao adaptar-se ao futsal europeu. Quem não se lembra da primeira época do Dieguinho (entre outros) no Sporting?

Veremos o que o futuro nos reserva...


Saudações leoninas a todos.  #TigasOUT.

tigas68






Comentários

  1. E agora tigas? o que nos dizes do Tomás, Bernardo, Zicky e Neves? Valeu a pena apostar nestes jovens? O Tomás e o Zicky "apenas" viraram a liga dos campeões a nosso favor quando já ninguém acreditava...
    Todos os anos saem bons jogadores, agora será o Guita, o Rocha e o Taynan, agradecemos a estes com a certeza que outros virão para juntar à melhor formação do mundo.
    O Tomás Paçó (esteve no 5 da UEFA para melhor seleção da Europa no Europeu Sub-19), o Bernardo é apontado como o futuro guarda-redes da seleção com um nível mundial, sendo que sabes jogar muito bem com os pés, O Zicky já não há palavras para o que vem fazendo e o Neves ainda nos vai dar muito. A juntar a tudo isto estes miúdos jogam juntos há 10 anos no Sporting e nas seleções.

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